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    Dia Mundial do Diabetes: como a doença afeta a pele

    Em 14 de novembro, é celebrado o Dia Mundial do Diabetes. A data é muito importante para conscientizar a população sobre essa doença crônica, sem cura e que apresenta muitos riscos à saúde. Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de brasileiros com diabetes tem crescido consideravelmente nos últimos anos: em 2016, a proporção de diabéticos era estimada em 8,9%, contra 5,5% em 2006. A falta de controle dos índices glicêmicos pode ocasionar diversas complicações, sendo que as mais comuns são doença renal, doenças oculares (como glaucoma, catarata e retinopatia), problemas circulatórios (que, quando não cuidados, podem gerar até amputação de membros) e problemas de pele. “É muito importante que pacientes com diabetes façam, além do controle da glicemia, um acompanhamento de rotina com o médico dermatologista. A pele do diabético precisa de cuidados especiais”, afirma a doutora Natalia Cymrot, médica dermatologista formada pela Universidade de São Paulo (USP) que atende na Zona Oeste de São Paulo (SP).

    O organismo com diabetes apresenta uma disfunção na produção de insulina, que é um hormônio secretado pelo pâncreas e que atua na metabolização da glicose (açúcar). Assim, o nível de glicose no sangue sobe, ocasionando as complicações.

    Um dos sintomas mais comuns de diabetes é uma pele menos protegida: a glicose “rouba” água do corpo, provocando ressecamento cutâneo, que por sua vez deixa a pele mais vulnerável a fungos e bactérias. “A pele seca e irritada muitas vezes é um dos primeiros sintomas perceptíveis do diabetes. É muito comum o paciente vir ao consultório por causa de coceira ou infecção dermatológica, e sair com um diagnóstico de diabetes”, explica a dra. Natalia Cymrot. “Por isso, é muito importante que a pessoa procure o dermatologista se perceber esses sintomas. O que parece algo simples e inócuo pode indicar uma doença que precisa ser controlada.”

    Quando não tratada adequadamente, a pele ressecada pode apresentar rachaduras. Em diabéticos, essas rachaduras podem evoluir para feridas. Disso surge outra complicação: como os vasos sanguíneos são prejudicados pela doença, pacientes com diabetes têm a cicatrização prejudicada. Ou seja: a ferida não cicatriza e, além de se agravar com o tempo, fica suscetível a infecções.
    Os problemas de pele que podem afetar pessoas com diabetes vão desde ressecamento e coceira até psoríase, dermopatia diabética (manchas acastanhadas na pele) e infecções bacterianas e fúngicas (inclusive nas unhas). Quadros mais graves podem incluir doenças como acantosis nigricans (que provoca lesões acinzentadas) e necrobiose lipoídica (mais rara, é um distúrbio que provoca degeneração do colágeno). Toda e qualquer complicação do diabetes na pele deve ser diagnosticada e tratada pelo dermatologista, que é médico especialista mais qualificado para esses casos. “Cuidar da pele é essencial para a saúde de qualquer pessoa. Para quem tem diabetes, é mandatório”, ressalta a dra. Natalia Cymrot.

    Além do acompanhamento no dermatologista, diabéticos precisam adotar uma rotina minuciosa de cuidados com a pele, que inclui a correta higienização com sabonete neutro e hipoalergênico, hidratação profunda (inclusive, e principalmente, dos pés) e proteção solar. Recomenda-se também que criem o hábito de inspecionar a pele diariamente para localizar pequenos cortes e feridas, especialmente nos pés.